Honestinas debatem: Política Urbana e Cidade Universitária

Universidade é unidade na diversidade. Mas, como faz pra ter unidade entre os quatro campi da UnB com um sistema de transporte tão ruim pra se locomover entre eles?

Desse jeito, fica cada vez mais difícil achar vaga nos estacionamentos… Sem falar que a gente chega lá e levaram as rodas. Como faz, coloca um PM a cada dez metros? Será que não haveria soluções mais eficientes e menos invasivas?

Muitos/as alunos/as da UnB têm dificuldades de conseguir moradia. MORAR, tem coisa mais básica e indispensável do que essa? A universidade está muito aquém do que deveria na assistência estudantil, mas será que a solução não passa também por uma outra política habitacional no DF? Ou vamos achar normal pagar aluguel caríssimo pra morar em cubículo, e não fazer nada pra mudar isso?

Vem com a gente pensar uma Cidade Universitária sem muros, estendida por todo o DF pra criar junto com a sociedade as soluções para os nossos problemas comuns.
A reunião será hoje (terça-feira) na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, a nossa querida FAU, das 17h15 às 20h15. Sabe, ali no ICC Norte, onde rolam uns happy hours geniais, perto do Ceubinho? =))

Viva o Sonho UnB!

“As lições fundamentais do primeiro ano de vida universitária ficaram indeléveis. O terrorismo cultural vivido particularmente e a resistência a ele, de professores, alunos e funcionários. Uma concepção nova de ensino, ainda em caráter experimental, voltado para os reais problemas de nossa terra e nosso povo, com métodos democráticos – não paternalistas e autoritários, não expositivos e magistrais. A existência já efetiva de um real diálogo entre professor e aluno, sem a distância que o sistema catedrático colocava. Depois a imagem de tudo isto calcado por uma bota militar. A demissão coletiva de quase todos os professores, a parada por vários meses e o vazio do reinício.”

Honestino Guimarães, símbolo da resistência da UnB à ditadura, foi torturado, assassinado e “desaparecido” por ela.

Prezada caloura,

Parabéns! Depois de muito esforço, talvez até de muitas noites mal-dormidas e fins de semana de abstinência, você realizou um sonho: entrou na UnB!

E agora, pra onde esse sonho vai te levar? Quais outros sonhos ele vai gerar?

A Universidade de Brasília também nasceu de um sonho, de pessoas empolgadas como você. O sonho de uma universidade que tomasse o Brasil como problema, produzisse conhecimento e formasse gente a serviço da transformação do país, e não indiferente aos seus rumos.

Era uma universidade vibrante, inovadora, irreverente, cheia de entusiasmo. Por toda parte, havia gente com os olhos brilhando, a cabeça pulsando, as  mãos ávidas para criarem uma UnB transformadora.

Tentaram destruir esse sonho à base de botinas e tanques. Tentaram e tentaram, de novo e de novo, mas não conseguiram, por mais que o tenham feito sangrar, sofrer, chorar.

O sonho vive, e o Movimento Honestinas convida você a não deixar o sonho morrer. A sonhar junto com a gente o sonho ousado de uma universidade que faça todas e todos também poderem sonhar. De uma univer(cidade) cooperativa, solidária, popular, que ecoe os sonhos da sociedade, em especial das exploradas e oprimidas do nosso povo.

Bem-vinda à UnB. 50 anos de sonho, de sangue e de América do Sul.

Um abraço, com carinho,

Movimento Honestinas

 

PS: Sonhe com a gente! Seja Honestina! Participe, amanhã, da nossa intervenção na Aula da Inquietação, às 10h, no Teatro de Arena.

Participe do Simpósio UnB 50 anos

Programação:
Não se esqueçam de que para participar é necessário inscrever-se via email!
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24 de outubro
Manhã
Local: Auditório da Faculdade de Comunicação – ICC Norte – Subsolo A
Abertura
08h30min às 08h50min – Abertura Oficial: Magnífico Reitor Jose Geraldo de Sousa Junior
08h50min às 09h05min – Coordenadora da Pós-Graduação em História da UnB Dra. Maria Filomena Pinto da Costa Coelho
09h05min às 09h20min – Coordenadora do NEP – Dra. Nair Heloísa Bicalho de Sousa
09h20 às 09h50 – Apresentação Honestinas
09h50min às 10h15min- Intervalo
Significados da ditadura militar na UnB
Coordenação da mesa – Dra. Lúcia Helena Pulino – IP/UnB
10h15min às 10h45min – Dra. Cléria Botêlho da Costa – A relevância da memória na reconstrução do presente
10h45min às 11h15min – Maria Elisabete Barbosa de Almeida – Palestra sobre Honestino Guimarães
11h15min às 11h45min – Dr. Isaac Roitman – professor
11h45min às 12h15min – Debate com o público
12h15min – Intervalo para almoço
Tarde
Local: Faculdade de Comunicação Sala 12 – ICC Norte – Térreo A
Memórias sobre a ditadura militar na UnB – parte 1
Coordenação da mesa – Dra Lucília de Almeida Neves Delgado – HIS/UnB
14h às 15h – Erika Kokay – ex-aluna (Memórias sobre a Ditadura Militar na UnB)
15h às 15h15min- Intervalo
15h15min às 16h15min – Luiz Humberto Miranda Martins Pereira e José Carlos Córdova Coutinho – professores
16h15min às 17h15min – Aldo Paviani – professor
17h15min às 18h – Debate com o Público
25 de outubro
Manhã
Local: Faculdade de Comunicação Sala 12 – ICC Norte – Térreo A
Memórias sobre a ditadura militar na UnB – parte 2
Coordenação da mesa – Dra. Eloísa Pereira Barroso – HIS/UnB
09h às 10h – Vladimir Carvalho – professor
10h às 10h15min- Intervalo
10h15min às 11h15min – Arlete Sampaio – ex-aluna
11h15min às 12h15min – Edilberto Sebastião Dias Campos – ex-aluno
12h15min às 12h45min – Debate com o público
Tarde
Local: Faculdade de Comunicação Sala 12 – ICC Norte – Térreo A
Memórias e experiências da ditadura militar – parte 3
Coordenação da mesa – Dra. Simone Rodrigues Pinto – CEPPAC
14h30 às 15h – Deputada Maria José Maninha – ex-aluna
15h às 15h30min – Gilney Viana – Comissão, Memória e Verdade
15h30 às 15h45min- Intervalo
15h45min às 16h40min – Palestra de Encerramento – A Experiência Argentina da Ditadura Militar na UBA. Prof. Dr. Pablo Pozzi (Universidade de Buenos Aires)
17h – Lançamento livro: “Memória e cidade, lembranças de Vila Nova”
Autora: Sílvia Clímaco Mattos  Editora: PUC-Goiás

Morre Maria Rosa, mãe de Honestino Guimarães

Foto: CEDOC/UnB

Por Mateus Guimarães Honestina, sobrinho do Honestino.

Prezadas amigas e amigos, gente querida…

Como muit@s já estão sabendo, minha avó paterna, Maria Rosa Leite Monteiro, fez sua passagem nesta madrugada, do dia 19 para o dia 20.

No domingo, dia 02, ela teve uma queda e fraturou o fêmur na região que o liga com a bacia, sendo em seguida internada no Hospital Alvorada, em Taguatinga. Após aguardar 10 dias por exames de risco e superar uma infecção urinária, ela foi operada na noite desta terça-feira, mas ficou muito debilitada e com a pressão baixa. Nesta madrugada, após a colocação de um cateter ela infelizmente teve uma parada cardíaca e faleceu.

Gostaria de convidar a tod@s que queiram prestar-lhe sua gratidão e homenagem, ao velório que será realizado a partir das 9h na capela 6 do Campo da Esperança. O sepultamento será às 17h.

Gostaria também de compartilhar com vocês um breve relato sobre a vida inspiradora dessa mulher, mãe, tia, avó, amiga, professora, escritora, poeta, dessa pessoa verdadeiramente humana que foi minha avó, especialmente para quem não conhece…

Filha caçula de Bellarmino Elvídio Leite e Deodina Gomes de Oliveira – casal de alagoanos intrépidos que deixaram a pequena cidade de Anadia para buscar uma vida melhor nos sertões da selva amazônica, percorrendo, bandeirantes, caminhos a naus e lombos de burros até encontrarem arrancho no Goiás – Maria Rosa nasceu na Fazenda Viçosa, em Itaberaí, no dia 16 de junho de 1928. Afeita aos estudos desde criança, tornou-se professora de primeiro grau aos 16 anos, iniciando uma longa e exemplar jornada profissional, tendo sido diretora escolar em diversas ocasiões, sempre com destacada atuação, recebendo títulos e premiações durante seus 26 anos de dedicação à Fundação Educacional do Distrito Federal.

Casou-se com Benedito Monteiro Guimarães, homem inquieto e cheio de aptidões – tabelião, professor de educação física, eletricista, mecânico, empresário, pintor – e que, inclusive, construiu a própria casa onde viveram juntos por cerca de 15 anos, até mudarem-se para Brasília em 1960 em busca de melhores condições de estudos para seus três filhos: Honestino Monteiro Guimarães, Luiz Carlos Monteiro Guimarães e Norton Monteiro Guimarães.

A partir do desaparecimento de Honestino em 10 de outubro de 1973, Maria Rosa iniciou uma longa jornada em busca de seu filho. Graças à Deus, ela teve um encontro espiritual com Honestino, que a ajudou a aceitar o desencarno do filho amado. Mesmo assim, manteve sempre firme sua luta em busca da Verdade e da Justiça, encorajando outras mães que sofreram do mesmo martírio a lutarem em busca de seus direitos.

Maria Rosa também sofreu a perda de seu marido, o Dito Monteiro, poucos dias após o AI-5, de Mary Rose (filha que havia adotado) e de Norton Monteiro Guimarães, meu pai. Tanto sofrimento nos faz crer que a doença de Alzheimer que lhe atingiu na velhice, foi como que um mecanismo de autodefesa.

Poeta e escritora, Maria Rosa escreveu três livros: “Ser Gente”, “Duas vidas, uma personalidade” e “Honestino: O bom da amizade é a não cobrança”, sendo estes dois últimos sobre a trajetória de vida de seu filho e, especialmente o segundo, um relato emocionante e atencioso no qual conversa diretamente com seu filho.

Quando eu era mais novo, pensava que antes de sua passagem, minha avó saberia a Verdade pela qual tanto buscou e batalhou. Infelizmente, vivemos num país de profunda exclusão, injustiça e impunidade. Nesse sentido, a vida e as obras de Maria Rosa se constituem como o maior legado deixado por ela para todas e todos que a amam. Que nos sirvam de inspiração para seguirmos em frente buscando a verdade, a justiça e a paz.

Vá em paz minha avó linda! Tenho certeza que estarás continuando sua jornada em busca do bem comum, agora com ainda mais força, unindo-se aos seus entes amados.

Mateus Guimarães

 

Leia também a matéria da UnB Agência, clique aqui.

Porque as eleições à reitoria da UnB devem ser adiadas

Carta Aberta à Comissão Organizadora da Consulta (COC) e à todas chapas que disputam as eleições para a reitoria da Universidade de Brasília.

O Movimento Honestinas vem por meio desta dar entrada em um processo para solicitar o adiamento das eleições para a reitoria da Universidade de Brasília, no presente ano de 2012.

Acreditamos que o processo eleitoral evolui muito com a adoção da forma paritária, como em 2008, e concordamos com este processo. Entretanto, para garantir, de fato, eleições livres e garantir que estas sejam paritárias, as mesmas não podem ser realizadas em período de greve.

Nossa maior preocupação não é o dia da votação, pois neste dia todos poderíamos fazer um esforço para comparecer. Julgamos irresponsável a organização de uma campanha fora do período de aulas, pois não há como organizar debates e passar de sala em sala com a universidade vazia. No único debate organizado entre todas as chapas, no último dia 07 de agosto, estiveram presentes em sua grande maioria estudantes, servidores e professores que já apoiam alguma candidatura. No próximo e último debate, em 15 de agosto, acreditamos que não será diferente.

As eleições são um longo processo e que, mais do que nunca, deve contar com a maior participação possível de todos os grupos da universidade: professores, servidores e estudantes.

Sugerimos que, mediante as razões expostas acima, o calendário eleitoral seja congelado até a volta às aulas, quando um novo cronograma seria organizado.