Morre Maria Rosa, mãe de Honestino Guimarães

Foto: CEDOC/UnB

Por Mateus Guimarães Honestina, sobrinho do Honestino.

Prezadas amigas e amigos, gente querida…

Como muit@s já estão sabendo, minha avó paterna, Maria Rosa Leite Monteiro, fez sua passagem nesta madrugada, do dia 19 para o dia 20.

No domingo, dia 02, ela teve uma queda e fraturou o fêmur na região que o liga com a bacia, sendo em seguida internada no Hospital Alvorada, em Taguatinga. Após aguardar 10 dias por exames de risco e superar uma infecção urinária, ela foi operada na noite desta terça-feira, mas ficou muito debilitada e com a pressão baixa. Nesta madrugada, após a colocação de um cateter ela infelizmente teve uma parada cardíaca e faleceu.

Gostaria de convidar a tod@s que queiram prestar-lhe sua gratidão e homenagem, ao velório que será realizado a partir das 9h na capela 6 do Campo da Esperança. O sepultamento será às 17h.

Gostaria também de compartilhar com vocês um breve relato sobre a vida inspiradora dessa mulher, mãe, tia, avó, amiga, professora, escritora, poeta, dessa pessoa verdadeiramente humana que foi minha avó, especialmente para quem não conhece…

Filha caçula de Bellarmino Elvídio Leite e Deodina Gomes de Oliveira – casal de alagoanos intrépidos que deixaram a pequena cidade de Anadia para buscar uma vida melhor nos sertões da selva amazônica, percorrendo, bandeirantes, caminhos a naus e lombos de burros até encontrarem arrancho no Goiás – Maria Rosa nasceu na Fazenda Viçosa, em Itaberaí, no dia 16 de junho de 1928. Afeita aos estudos desde criança, tornou-se professora de primeiro grau aos 16 anos, iniciando uma longa e exemplar jornada profissional, tendo sido diretora escolar em diversas ocasiões, sempre com destacada atuação, recebendo títulos e premiações durante seus 26 anos de dedicação à Fundação Educacional do Distrito Federal.

Casou-se com Benedito Monteiro Guimarães, homem inquieto e cheio de aptidões – tabelião, professor de educação física, eletricista, mecânico, empresário, pintor – e que, inclusive, construiu a própria casa onde viveram juntos por cerca de 15 anos, até mudarem-se para Brasília em 1960 em busca de melhores condições de estudos para seus três filhos: Honestino Monteiro Guimarães, Luiz Carlos Monteiro Guimarães e Norton Monteiro Guimarães.

A partir do desaparecimento de Honestino em 10 de outubro de 1973, Maria Rosa iniciou uma longa jornada em busca de seu filho. Graças à Deus, ela teve um encontro espiritual com Honestino, que a ajudou a aceitar o desencarno do filho amado. Mesmo assim, manteve sempre firme sua luta em busca da Verdade e da Justiça, encorajando outras mães que sofreram do mesmo martírio a lutarem em busca de seus direitos.

Maria Rosa também sofreu a perda de seu marido, o Dito Monteiro, poucos dias após o AI-5, de Mary Rose (filha que havia adotado) e de Norton Monteiro Guimarães, meu pai. Tanto sofrimento nos faz crer que a doença de Alzheimer que lhe atingiu na velhice, foi como que um mecanismo de autodefesa.

Poeta e escritora, Maria Rosa escreveu três livros: “Ser Gente”, “Duas vidas, uma personalidade” e “Honestino: O bom da amizade é a não cobrança”, sendo estes dois últimos sobre a trajetória de vida de seu filho e, especialmente o segundo, um relato emocionante e atencioso no qual conversa diretamente com seu filho.

Quando eu era mais novo, pensava que antes de sua passagem, minha avó saberia a Verdade pela qual tanto buscou e batalhou. Infelizmente, vivemos num país de profunda exclusão, injustiça e impunidade. Nesse sentido, a vida e as obras de Maria Rosa se constituem como o maior legado deixado por ela para todas e todos que a amam. Que nos sirvam de inspiração para seguirmos em frente buscando a verdade, a justiça e a paz.

Vá em paz minha avó linda! Tenho certeza que estarás continuando sua jornada em busca do bem comum, agora com ainda mais força, unindo-se aos seus entes amados.

Mateus Guimarães

 

Leia também a matéria da UnB Agência, clique aqui.

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2 pensamentos sobre “Morre Maria Rosa, mãe de Honestino Guimarães

  1. Mateus,

    primeiramente desejo que Deus esteja com você, sua família e sua avó nesse momento difícil.

    Após isso, quero adquirir os livros publicados por sua avó e não encontro em local nenhum. Você pode me informar a editora que fez a publicação pra eu tentar encontrar junto a editora ou em sebos, pois nas livrarias não encontrei.

    Agradeço a informação.

    Força sempre!

    Ludmila

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